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A
IMPORTÂNCIA DOS MITOS NO
CANDOMBLÉ 
O culto
dos orixás remonta de muitos séculos, talvez sendo um dos mais antigos
cultos religiosos de toda história da humanidade.
O
objetivo principal deste culto é o equilíbrio entre o ser humano e a
divindade aí chamada de orixá.
A
religião de orixá tem por base ensinamentos que são passados de geração a
geração de forma oral.
Basicamente este culto está assim
organizado:
1o Olorun - Senhor Supremo ou Deus
Todo Poderoso ( Senhor do Orun) 2o Olodumare – Senhor do Destino 3o Orunmilá –
Divindade da Sabedoria (Senhor do Oráculo de Ifá e dos destinos) 4o Orixá – Divindade
de Comunicação entre Olodumare e os homens, também chamado de
elegun, onde a palavra elegun quer dizer "aquele que pode
ser possuído pelo Orixá" 5o Egungun – Espíritos dos Ancestrais
Os mitos(itan)
são muito importantes no culto dos orixás, pois é através deles que
encontramos explicações plausíveis para determinados ritos.
Sem
estas estórias, lendas ou ìtan seria difícil ter respostas a sérios
enigmas, como o envolvimento entre a vida do ser humano e do próprio
orixá.
O MITO DA CRIAÇÃO (Segundo a Tradição
Yorubá)
Olodumaré enviou Oxalá para que criasse o mundo. A ele foi confiado um
saco de areia, uma galinha com 5 (cinco) dedos e um camaleão. A areia
deveria ser jogada no oceano e a galinha posta em cima para que ciscasse e
fizesse aparecer a terra. Por último, colocaria o camaleão para saber se a
terra estava firme.
Oxalá
foi avisado para fazer uma oferenda à Exu antes de sair para cumprir sua
missão. Por ser um orixá funfun, Oxalá se achava acima de todos e, sendo
assim, negligenciou a oferenda à Exu. Descontente, Exu resolveu vingar-se
de Oxalá, fazendo-o sentir muita sede. Não tendo outra alternativa, Oxalá
furou com seu opasoro o tronco de uma palmeira. Dela escorreu um
líquido refrescante que era o vinho de Palma. Com o vinho, ele saciou sua
sede, embriagou-se e acabou dormindo.
Olodumaré, vendo que Oxalá não havia cumprido a sua tarefa, enviou Oduduwa
para verificar o ocorrido. Ao retornar e avisar que Oxalá estava
embriagado, Oduduwa cumpriu sua tarefa e os outros orixás vieram se reunir
a ele, descendo dos céus, graças a uma corrente que ainda se podia ver no
Bosque de Olose.
Apesar
do erro cometido, uma nova chance foi dada à Oxalá: a honra de criar os
homens. Entretanto, incorrigível, embriagou-se novamente e começou a
fabricar anões, corcundas, albinos e toda espécie de monstros.
Oduduwa
interveio novamente. Acabou com os monstros gerados por Oxalá e criou
homens sadios e vigorosos, que foram insuflados com a vida por
Olodumaré.
Esta
situação provocou uma guerra entre Oduduwa e Oxalá. O último, Oxalá, foi
então derrotado e Oduduwa tornou-se o primeiro Oba Oni Ifé ou "O
primeiro Rei de Ifé".
O VERDADEIRO NOME DE
ODUDUWA
Como
expliquei em outra ocasião, Oduduwa foi um personagem histórico do povo
yorubá.
Oduduwa
foi um temível guerreiro invasor, vencedor dos ìgbós e fundador da cidade
de Ifé. Segundo historiadores, Oduduwa teria vivido entre 2000 à 1800 anos
antes de Cristo.
Oduduwa
foi pai dos reis de diversas nações yorubás, tornando-se assim cultuado
após sua morte, devido ao costume yorubá de cultuar-se os ancestrais.
Segundo
o historiador Eduardo Fonseca Júnior, Oduduwa chamava-se Nimrod, que
desceu do Egito até Yarba onde fixou residência. Ao longo do caminho até
Yarba, Nimrod ou Oduduwa fundou diversos reinos. Diz ainda que Oduduwa
teria ido para a África a mando de Olodumare para redimir os descendentes
de Caim que à semelhança de seu ancestral, carregavam um sinal na
testa.
Segundo
o historiador, Nimrod trocou de nome e passou-se a se chamar Oduduwa,
"aquele que tem existência própria"; onde Ile-Ifé é aquele que cresce e se
expande.
Segundo
o Professor José Beniste, Oduduwa é assim chamado devido ao fato dele
cultuar uma divindade chamada Oduá, que na verdade chama-se Odulobojé, que
é a representação feminina, com o poder da gestação. Era o ancestral
cultuado pelo herói aqui em questão, gerador de toda cultura yorubá.
Como
podemos observar, Oduduwa (o fundador de Ilé-Ifé), segundo grandes
pesquisadores como Pierre Verger, José Beniste, Eduardo Fonseca Júnior é
um personagem histórico.
OS ORIXÁS E SUAS ORIGENS
Quando
falamos de orixá, falamos de uma força pura, geradora de uma série de
fatores predominantes na vida de uma pessoa e também na natureza.
Mas, como surgiram os orixás? Quais
as suas origens?
Quando
Olorum, Senhor do Infinito, criou o Universo com o seu ófu-rufú, mimó, ou
hálito sagrado, criou junto seres imateriais que povoaram o Universo.
Esses seres seriam os orixás que foram dotados de grandes poderes sobre os
elementos da natureza. Em verdade, os orixás são emanações vindas de
Olorum, com domínio sobre os 4 (quatro) elementos: fogo, água, terra e ar
e ainda dominando os reinos vegetal e animal, com representações dos
aspectos masculino e feminino, ou seja, para todos os fenômenos e
acidentes naturais, existe um orixá regente. Através do processo de
constituição física e diante das leis de afinidades, cada ser humano
possui 01 (um) ou mais orixá, como protetores de sua vida, a eles sendo
destinados formas diversas de culto.
Um outro
aspecto a ser analisado sobre a tradição de orixá e sua origem seria a de
que alguns orixás seriam, em princípio, ancestrais divinizados que em vida
estabeleceram vínculos que lhes garantiam um controle sobre certas forças
da natureza, como o trovão, o vento, as águas doces, ou salgadas, ou
então, assegurando-lhes a possibilidade de exercer certas atividades como
a caça, o trabalho com metais, ou ainda, adquirindo o conhecimento das
propriedades das plantas e de sua utilização.
O poder
axé do ancestral-orixá teria, após a sua morte, a faculdade de encarnar-se
momentaneamente em um de seus descendentes durante um fenômeno de
possessão por ele provocada.
A
passagem da vida terrestre à condição de orixá aconteceu em momento de
paixão como nos mostram as lendas dos orixás.
Xangô,
por exemplo, tornou-se orixá em um momento de contrariedade por se sentir
abandonado, quando deixou Oyó para retornar à região de Tapá. Somente Oyá,
sua primeira mulher, o acompanha na fuga e, por sua vez, ela entrou
debaixo da terra depois do desaparecimento de Xangô. Suas duas outras
mulheres Oxum e Obá tornaram-se rios que tem seus nomes, quando fugiram
aterrorizadas pela fumegante cólera do marido.
Como
relatei, esses antepassados não morreram de forma natural; e sim, sofreram
uma transformação nos momentos de crise emocional provocada pela cólera ou
outros sentimentos.
A origem
é a própria terra. E segundo a tradição yorubá, alguns orixás foram seres
humanos possuidores de um axé muito forte e de poderes excepcionais.
SAUDAÇÕES:
As
saudações são muito importantes, pois é através delas que nós invocamos os
orixás.
Assim,
vamos traduzir para vocês “As saudações dos Orixás e seus
significados”:
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Exu
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Kóbà Láryè
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aquele que é muito falante
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Ogun
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Pàtakorí
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exterminador ou cortador de ori
ou cabeça |
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Oxossy
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Ará
Unse Kòke Ode |
guardador do corpo e caçador
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Xangô
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Kawó-Kábièsilé
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venham ver o Rei descer sobre a
terra |
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Oxum
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Orà Yè Yé Ofyderímàn
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salve mãezinha doce, muito
doce |
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Yansã ou Oyá
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Èpàrèi
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venha, meu servo
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Omolu e Obaluayê
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Atótóo
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silêncio
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Yemanjá
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Èru Ìyá
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senhora do cavalo marinho
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Oxumaré
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Arrum Bobo(termo Jeje)
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senhor de águas supremas
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Nanã
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Sálùbá
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pantaneira (em alusão aos
pântanos de Nanã) |
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Oxalá
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Esè Epa Bàbá
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você faz, obrigado Pai
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AXÉ
A
palavra Axé é de origem yorubá e é muito usada nas casas de
Candomblé. Axé significa "força, poder, realização" mas também é empregada para
sacramentar certas frases ditas entre o povo de santo, como por exemplo:
Eu digo: - “Eu estou muito bem.” Outro responde: -“Axé!” Esse “axé“ aí
dito equivaleria ao "Amém" do Catolicismo ("que Deus permita").
Mas, o
Axé ainda pode significar a própria casa de Candomblé em toda a sua
plenitude. Daí, uma Yalorixá também ser chamada de Yalaxé(Iyálàse), ou
seja, “Mãe do Axé” ou a pessoa responsável pelo zelo do Axé ou força da
casa de Orixá.
Axé também pode
significar “Vida”. E tudo que tem vida tem origem. Chamar a vida é chamar
o Axé e as origens. Os Orixás são Axé, os Orixás são Vida.
Agora, o que seria
Contra-Axé?
O
contra-axé são todas as estruturas de opressão e morte que destroem a vida
das comunidades. O contra-axé ainda pode ser todas a quizilás e ewós
dentro de uma casa de orixá e também certos tabus que cercam o
omo-orixá.
Na
tradição dos orixás, axé também pode significar a "força das águas,
do fogo, da terra, das árvores, das pedras" enfim de tudo que tem vida.
Pois, o Candomblé é um culto de celebração à vida e a toda a força que
dela advém, ou seja, o próprio culto, é o próprio Axé.
O QUE SERIAM
ORIXÁS-ANCESTRAIS?
Para os
povos africanos, em particular, para os yorubás, fons e bantos, a religião
é a base para sua existência diária.
Ainda
pela manhã, os yorubás, por exemplo, fazem uma série de adúràs e orikìs,
ou seja, rezas e invocações para que o dia corra bem. Durante o dia ainda,
vários atos serão feitos lembrando sempre a tradição religiosa. Nas horas
das refeições, enquanto a família estiver reunida também várias saudações
serão feitas, agradecendo a Olódùmarè e aos Orixás-Ancestrais a graça da
alimentação.
Agora,
por que estes povos se portam assim?
Usamos o
termo Olódùmarè por representar para o povo yorubá, “o criador de todas as
coisas” ou “a divindade suprema acima dos Orixás-Ancestrais”.
Os povos
de Ketu, Oyó, Ijesá, Ibadan e Ifé não só prestam culto à divindades
naturais, mas também cultuam à ancestralidade, pois para os yorubás a
reencarnação existe (atun wá), ou seja, a pessoa morre e renasce no mesmo
seio familiar ao qual pertencia. Aí entra o orixá-ancestral de cada
família que por tradição será o orixá-dominante de toda uma região. Por
exemplo, Xangô em Oyó, Ogun em Irê, Oxum em Ijexá, Oxossy em Ketu e assim
por diante.
Como
podemos observar, esses orixás são patronos e dominantes de cada região,
acreditando os yorubás serem eles ancestrais nestes lugares, isto é,
viveram ou construiram estas regiões, como Xangô ainda em exemplo teria
sido o maior Alafin ou rei de Oyó.
Como
podemos entender é que lá na Nigéria os yorubás cultuam esses orixás como
sendo seus antepassados, isto é, o culto à orixá está ligado ao culto da
ancestralidade.
ODÙ
A
palavra odù vem da língua yorubá e significa “destino”. Portanto,
odù é o destino de cada pessoa.
O
destino é, na verdade, a regra determinada a cada pessoa por Olodumaré
para se cumprir no àiyé, o que muitos chamam de missão. Esta “missão” nada
mais é do que o odù que já vem impresso no ìpònrí de cada um,
constituído numa sucessão de fatos, enquanto durar a vida do emi-okán ou
espírito encarnado na terra.
Enquanto
a criança ainda não nascer, ou seja, enquanto ela permanecer na barriga de
sua mãe, o odù ou destino desta criança ficará momentaneamente alojado na
placenta e só se revelará no dia do nascimento da criança.
Cada odù
ou destino está ligado a um ou mais orixá. Este orixá que rege o odù de
uma pessoa influenciará muito durante toda a vida dela. Mas, nem por isso
ele será obrigatoriamente o orixá-ori, ou "o pai de cabeça" daquela
pessoa, ou seja, o orixá-ori independe do odù da pessoa. Vejamos um
exemplo: um omon-orixá de Yansã que tenha no seu destino a regência do odù
ofun (que é ligado à Oxalá), essa pessoa terá todas as características dos
filhos de Yansã: independentes, autoritários, audaciosos. Mas, sofrerá as
influências diretas do odù ofun, trazendo portanto para este filho de
Yansã, lentidão em certos momentos da vida. Situação esta desagradável
para os filhos de Yansã, que tem a rapidez como marca registrada.
Os odùs
ou destinos são um segmento de tudo que é predestinação que existe no
universo, conseqüentemente, de todas as pessoas.
Os odùs,
além de serem a individualidade de cada um, também são energias de
inteligências superiores que geraram o “Grande Boom”, a explosão
acontecida a milhares de anos no espaço que criou tudo.
Dentro
de um contexto específico (pessoal ou social) em nosso planeta esses odùs
podem seguir um caminho evolutivo ou involutivo, por exemplo: existe um
odù denominado de odi. Foi Odi que em disfunção gerou as
doenças venéreas e outras doenças resultantes de excessos e deturpações
sexuais. Traz em sua trajetória involutiva a perversão sexual e é ainda
através desse lado involutivo de odi que acontece a perda da
virgindade e a imoralidade.
Porém,
como expliquei, existe o lado evolutivo e o próprio odù odi citado
aqui em nosso exemplo possui características boas e marcantes como:
caráter forte e firme e tendência a liderança.
Na
verdade, são os odùs que governariam tudo que está ligado a vida em todos
os sentidos.
Abaixo,
relaciono os 16 (dezesseis) principais odùs e seus orixás
correspondentes:
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ODÙ
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ORIXÁ
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1.Òkànràn
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Exu
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2.Éji Òkò
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Ogun e Ibeji
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3.Étà Ògúndá
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Obaluaiye e ainda Ogun
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4.Ìròsùn
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Yemanjá
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5.Òsé
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Oxum
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6.Òbàrà
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Xangô, Oxossy, Yansã e
Logun-Edé |
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7.Òdì
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Exu, Omolu, Oxossi e ainda
Oxaguiãn |
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8.Éjì Onílè
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Oxaguian
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9.Òsá
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Oya, Yemanjá
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10.Òfún
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Oxalá
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11.Òwórín
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Yansã, Exu e Ogun
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12.Èjìlá Seborà
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Xangô
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13.Éjì
Ológbon |
Nanã
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14.Ìka
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Oxumarê
e Ossain |
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15.Ogbègúndá
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Obá, Ewa, Oxumarê e Omulu
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16.Àlàáfia
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Orunmilá, Orixalá, Odudua e
Orixás Funfun |
O RITUAL
DE ÌPÀDÉ NO CANDOMBLÉ
A
palavra Ìpàdé significa “encontro, reunião”. Da contração desta
palavra surgiu o termo “padé” que ficou para determinar o "ritual do
padé".
Nessa
ocasião, todos os membros da casa devem estar no barracão. No momento do
ìpàdé ou padé os Exus, Ancestrais, Orixás e pessoas filhos do egbé formam
um conjunto muito importante.
O ìpàdé
não é uma festa pública, não podendo aí nesse momento haver nenhuma
conversa por parte dos participantes. Todos permanecem abaixados,
ajoelhados em esteiras sem olhar o que se passa a sua volta. Este ato é
por causa de iyamin. Se uma pessoa levantar a cabeça em hora indevida, as
iyamins podem cegar esta pessoa naquele momento.
No ato
do ìpàdé, só a Ìyamoró pode entrar e sair do barracão, pois a ela foi
conferido um objeto (cuia) que a proteje como escudo dos perigos das
ajé(iyamin).
Na
verdade, o ìpàdé é uma obrigação feminina. Não quero dizer com isso que
homens não participem; apenas ressalto que quem controla o ìpàdé são as
Iyá Mí Ajé ou “As Grandes Mães Feiticeiras”.
A IMPORTÂNCIA DAS PINTURAS
Três
elementos são utilizados nas casas de Candomblé, para diversas finalidades
e são essenciais pela ação de proteção que exercem: Osun, Efun e
Waji.
Osun e
Waji são elementos vegetais e Efun é mineral. Todos são transformados em
pó para preparar pintura, principalmente, a pintura do ori de iyawos, ou
seja, das pessoas que se iniciam no Candomblé.
Osun,
Efun e Waji servem aí para proteção da cabeça do iyawo, contra os efeitos
negativos das ajé da sociedade das iyami. Isso porque, os pássaros
enviados pelas ajé costumam pousar com as asas abertas sobre as cabeças
das pessoas. Quando isso acontece, todo o mal fica nessas pessoas. Daí o
procedimento de se pintar o iyawo.
Outra
forma de se proteger das yamin é passar a mão constantemente pela cabeça,
no intuito de impedir o pouso dos pássaros maus e que são denominados de
eleye.
Portanto, vale ressaltar a importância da pintura de iyawo com esses
elementos Osun, Efun e Waji, pois os mesmos neutralizam a cólera das
yamins.
O SIGNIFICADO DE PANÁ E
KITANDA
Durante
os ritos de iniciação, a pessoa é devidamente isolada mantendo contato
somente com pessoas preparadas para cuidá-la.
Toda
atenção lhe é dedicada, sendo-lhe destinada uma mãe criadeira também
denominada de ojúbòna, para lhe assistir em tempo integral.
Um iyawo
equivale a uma criança nova, recém-nascida e merecedora de todos os
cuidados. Daí o iyawo também ser chamado de omotun, que quer dizer
“criança nova”. Embora adulta e talvez bem vivida, a pessoa ao entrar para
se iniciar se transforma numa criança, pois é um ser novo que nasce para a
religião. Por esse motivo, após o ritual do oruko, ou seja, do nome de
iyawo, torna-se necessário um novo ritual: o reaprendizado das coisas, que
no Candomblé de Ketu chama-se Paná e nos de Angola,
Kitanda.
A
palavra paná em yorubá significa “fim do castigo”, em referência a
quebra da rigidez exigida durante o começo da iniciação (banhos, pintura,
raspagem) e kitanda, em kimbundo, significa “feira, mercado”.
Essa
maior liberdade é proporcionada pela presença de entidades chamadas no
Ketu de ere. Estas entidades têm características infantis
proporcionando ao iyawo um certo relaxamento e repouso.
Estes
rituais paná (no Ketu) e kitanda (no Angola) representam em verdade a
quebra das kizilas em que o iyawo estava submetido durante o tempo de
recolhimento. É o reaprendizado dos gestos e ações do dia a dia. Por isso,
são colocados objetos como: tesoura, lápis, linha, agulha, vassoura,
copos, pratos e ainda colocam-se frutas para serem vendidas. Enquanto os
homens imitam trabalhos no campo, as mulheres representam tarefas
caseiras. Mas tudo isso é feito num clima de total alegria.
Mas, o
iyawo ainda sofrerá alguns èèwò durante algum tempo, tais como: não vai à
praia, não toma bebida alcoólica, só se veste de branco e comporta-se de
forma submissa diante dos mais velhos, além de não receber a benção com a
cabeça coberta. Enfatizo que iyawo não toma benção com a cabeça
coberta.
Adosu e Iyawo
são denominações nas casas de Ketu; Muzenza, nas casas de Angola e
Vodunsi, nas de Jeje.
Kizila ou Èèwò
Tudo
aquilo que provoca uma reação contrária ao axé, dá-se o nome de kizila ou
èèwò, ou seja, são as energias contrárias a energia positiva do orixá.
Estas energias negativas podem estar em alimentos, cores, situações,
animais e até mesmo na própria natureza.
Como
algumas kizilas ou èèwò dos orixás, tem-se: *Exu - água e mel em
excesso *Ogun - quiabo *Oxossy - mel de abelha *Yansã -
abóbora *Oxalá - dendê, vinho da palma
O QUE SIGNIFICA ADÚRÀ?
A
palavra adúrà é do yorubá e significa “reza, prece ou oração”.
Estas
adúrà ou orações tem por finalidade invocar os orixás, e também, solicitar
ajuda para os problemas do dia a dia.
Porém, o
que seria oríki?
Oríki,
na verdade, seria um aglutinado de palavras usadas pelos yorubás na hora
de fazerem sacrifícios ou pedidos aos orixás. O oríki, diferente da adúrà,
seria a “súplica”.
É isto!
A adúrà é a reza ou oração própria do orixá que não pode ser mexida.
Enquanto o oríki são palavras expressas de forma intimista com o orixá,
podendo ser modificado dependendo da ocasião em que for dito.
Abaixo,
uma Adúrà à Odé:
Ode amoji elere Otiti ami ilú uo
biojo Ari sokoto penpe guibon eni onã ikiré Boba guibo ma da miran
sí Ode alaja pa amu ouem obó Baba mí fiki fiki ekun ako oru Ma
jeki owo son mí Ode wa fun mí, ni alafiá
“Caçador, pessoa forte que sacode a
cidade Pessoa que veste bermuda nas estradas molhadas da cidade de
Ikiré Se forem rasgadas ele tem outras Caçador que tem cachorros,
que matam qualquer animal Meu Pai, o forte leopardo que não tem medo da
madrugada Não me deixa faltar dinheiro Caçador, dê-me a paz”
AS ÁGUAS E OS ORIXÁS FEMININOS
A água é
muito utilizada nas casa de Candomblé. Em muitos ritos ela aparece tendo
um significado muito importante, desde o rito do ìpàdé, quando ela é
utilizada para acalmar as ajé, até o ritual das águas de Oxalá, quando ela
representa a limpeza lustral do egbe.
Colocar
água sobre a terra significa não só fecundá-la, mas também restituir-lhe
seu sangue branco com o qual ela alimenta e propicia tudo que nasce e
cresce em decorrência, os pedidos e rituais a serem desenvolvidos. Deitar
água é iniciar e propiciar um ciclo. Diria ainda que as águas de Oxalá
pelas quais começa o ano litúrgico yorubá tem precisamente este
significado.
É comum
ao se chegar a uma entrada de uma casa de Candomblé vir uma filha da casa
com uma quartinha com água e despejar esta água nos lados direito e
esquerdo da entrada da casa. Este ato é para acalmar Exu e também para
despachar qualquer mal que por ventura possa estar acompanhando esta
pessoa. Neste caso, a água entra como um escudo contra o mal.
Entre os
eboras ou orixás femininos, destacamos aqui Nàna que está associada à
terra, à lama e também às águas. Nàna ou Nàna Burúkú ou Nàna Bukú, como é
chamada no antigo Dahomé, foi considerada como o ancestre feminino dos
povos fons.
Outro
orixá feminino associado à água é o orixá Òsun. Oxum tem toda a sua
história ligada às águas pois, na Nigéria, Òsun é a divindade do rio que
recebe o mesmo nome do orixá.
Oyá ou
Yánsàn, divindade dos ventos e tempestades, também está ligada às águas,
pois na Nigéria Oyá é dona do rio Niger, também chamado pelos yorubás de
Odò Oyá ou "Rio de Oya".
Não
diferente dos demais orixás femininos, Yemanjá também está muito ligada às
águas. É o orixá que em terra yorubá é patrona de dois rios: o rio Yemonja
e o rio Ogun – não confundir com o orixá Ogun, Deus do ferro. Daí Yemonja
estar associada à expressão Odò Iyá, ou seja, "Mãe dos Rios".
Resumindo, a água é um elemento natural aos orixás femininos. Não só
dentro do culto de Candomblé, mas como em toda a vida, ela é de suma
importância pois, como é dito, a água é o princípio da vida.
SENTIDO DAS PALAVRAS
As
palavras yorubás, ewes e as do dialeto kimbundo são as mais usadas nas
casas de Candomblé. Muitas dessas palavras sofreram modificações nos seus
sentidos reais, ou seja, muitas delas são empregadas de forma diferente do
seu real sentido. É isso que vamos entender agora:
·
A palavra “perdão” em yorubá é afó-riji.
·
Monà em yorubá significa “certamente; sim”. Não confundir
com a palavra mona da língua kimbundo. “Mulher” em yorubá é
obin-rin e em ewe, ionú.
·
A palavra “licença”em yorubá é aiyè-lujará. No Brasil, a
palavra “licença” foi identificada com a palavra àgò, que na
verdade em yorubá é yàgò, ou seja, àgò é uma contração da
palavra yorubá yàgò que na verdade significa “abram
caminho”.
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